Teoria do amor

“Meu Deus, não acredito que tive um papo tão legal e construtivo com alguém que, de começo, parecia não ligar para coisas de meu interesse…”

Quem é que nunca teve essa reflexão em seu subconsciente?
Não sei. Sei que eu tive, agora, por isso escrevi.

Um papo legal é nada mais, nada menos, que uma troca de palavras entre duas ou mais pessoas que se diferenciam em argumentos mas se assemelham em assuntos.

Foi conversando que tive a incrível ideia de escrever uma coisa que acho razoavelmente lógica. Um assunto que, mesmo tendo sido abordado e reconhecido por outras pessoas (o que duvido muito), acho interessante compartilhar.

É verdade que existem pessoas que traem e pessoas que não traem seus companheiros.
O que poderia explicar tais atitudes? O que pode definir bem o que se passa pelas cabeças dessas criaturas? Teria alguma relação trair e ser traído? Por que somos paulatinamente tentados a experimentar o ‘errado’ conforme o bom senso?
São perguntas simples e que parecem ter respostas óbvias e definíveis. Porém há uma
complexidade em responder que pode acarretar opiniões diversificadas, o que, de fato,
geraria um ‘tumulto explicativo’ bem elevado, já que opiniões se confrontam diariamente
sobre qualquer coisa.

Como alguém que, mesmo amando um outro alguém, acaba por traí-lo?
Deixar os sentimentos agirem fazendo com que tomem conta das atitudes mundanas, em qualquer sentido e/ou forma, faz com que pratiquemos a traição.
Mas se deixarmos fluir todos os sentimentos momentâneos que digam respeito às nossas vontades para fora e acabarmos por controlá-los, teremos atitudes contrárias e estaremos respeitando o bom senso, o que seria o oposto do senso comum, neste caso.

O senso comum desta crítica investigativa é justamente deixar fluir as atitudes em prol das vontades, fazendo com que haja um padrão na sociedade sobre o que é “traição”.
Se traímos e somos traídos, é por que isso se tornou uma normalidade. E, sim, a traição é normal.
O que possa vir a provocar escândalo é o que estou querendo afirmar.

A traição vem acompanhada da raça humana tempo o suficiente para que eu não saiba datar com precisão. Tanto faz, tanto importa.
Especifico a traição como forma de amor. Portanto, trair não significa que você não esteja
mais ‘afim’ de outra pessoa.

Loucura? Talvez. Mas há lógica.

Traição: “(…) é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da
confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações.” http://pt.wikipedia.org/wiki/Trai%C3%A7%C3%A3o

Pensem comigo: há grande parte da população que sabe o que é traição, provoca a traição e é vitimizada pela traição. Seja ela em qualquer forma, desde traições que rompam acordos e pactos importantíssimos que digam respeito à centenas de milhares de pessoas, até traições em relacionamentos a dois, como o sagrado matrimônio.

Mas há também traições saudáveis, que magoam a uns e felicitam a outros.
Exagero na afirmação? É só o que parece.

Como falei há alguns parágrafos, existem meios de satisfazer a si mesmo e meios de
satisfazer seu companheiro optando pela sua vontade ou não. A dificuldade é conciliá-los.

Trair tem a ver com amor. Você ama um propósito, até que, por um acaso, você deixa de amá-lo. Logo você trai este propósito, o que faz você ser acusado como ‘traidor’. Um traidor é aquele que exclui os seus antigos votos, os seus propósitos anteriores, e que agora busca novos.

Com esse exemplo, a grande maioria das pessoas está fixada à ideia de que, para ser um traidor, você necessita deixar de amar aquilo que você traiu. Isso está errado.

A Teoria do Amor, a qual me refiro e crio com estas palavras, refere-se à traição como uma forma adequada de escolher novos caminhos que façam parte da busca pela própria felicidade.
O amor, como sabemos, gera a felicidade.
Logo, aquele que ama e acaba traindo, não necessariamente está deixando ou deixou de amar.
Há como amar e trair, e há como não amar e não trair. Tal como há como amar e não trair e há como não amar e trair.

Para trair, você necessita primeiramente da vontade de trair.
Para não trair, você necessita da força de vontade a prol do bom senso sobre a vontade de trair.

Conforme o relatado acima, uma pessoa pode muito bem trair apenas para suprir sua necessidade momentânea.
Se você não tiver a necessidade (dita como vontade), você não trairá.

Mas há a traição alheia e a traição íntima.
Uma pessoa que deixa de trair outra, negando sua vontade de trair, está traindo a si mesma.
Portanto, a não ser que não haja vontade de trair, não haverá como deixar de trair e/ou ser traído por si mesmo.

Enrolado? Claro, hipóteses são enroladas (complicadamente complexas).

A associação da Teoria do Amor ‘inventada’ aqui com a traição é mais simples do que isso.
Para que haja traição, pode haver amor – até mesmo um amor descomunal. Ao contrário do que é entendido no senso comum – em que o traidor deixa de gostar daquilo que traiu, o traidor pode continuar amando o objeto, acordo ou pessoa que traiu. Portanto, deixando de trair a si mesmo.
Trair a si mesmo é trair seus sentimentos. Preservar o que se ama sem trair, mesmo tendo a vontade, pode acabar significando que você não está traindo e está sendo portador de bom senso, mas, na verdade, você está traindo a outra pessoa que você ama: a si mesmo.

Na Teoria do amor, depende da diferença do sentimento de amor entre si mesmo com o sentimento pela pessoa que você ama, o que dirá se você vai ou não trair.
Se você ama mais a pessoa que a si mesmo, você, provavelmente, não a trairá, mesmo que sinta vontade.
Se você ama mais a si mesmo que ama a pessoa, você, provavelmente, trairá, pois reconhece suas necessidades e quer fazer o bem a si mesmo.

Para tanto, o amor caminha de mãos dadas com a traição.
Uma pessoa que afirma que você não a ama por ter traído-na, está relativamente enganada quanto à sua acusação.
Não há como saber simplesmente deduzindo se a pessoa ama, já amou ou está deixando de amar a partir do ato ocorrido, o ato da traição.

Aquele que ama a si mesmo e ama uma pessoa alheia a si mesmo, poderá traí-la.
O que definirá se o fará é se ama a si mesmo o suficiente para suprir suas necessidades mentais e/ou fisiológicas a partir de outra fonte, que não seja a pessoa amada.

Sendo direto e reto, como derivação à curto e grosso, uma pessoa que ama outra pessoa pode muito bem traí-la sem deixar de amá-la, pois também ama a si mesma e quer poder fazer bem a si mesma (transando com outra que viu e teve vontade, dado como exemplo), mas não tendo a intenção de fazer mal àquela que ama.

A explicação é lógica e faz sentido, mesmo que por hipótese e sem noções empíricas.

Bom… leitura chata é isso aí mesmo. Mas, se alguém quiser levar a sério esta hipótese, fique a vontade. Só espero receber os devidos créditos, afinal… não é fácil pensar.

Até a próxima hipótese (talvez uma continuação da Teoria do Amor).